Pular para o conteúdo principal

Browsers para todos os gostos e um aperitivo de Selenium nas nuvens

Em 1989, foi derrubado o muro de Berlim. O ensaista Francis Fukuyama decretou o "fim da história": o capitalismo norteamericano havia vencido a guerra fria com seu sistema rival, o antes temido comunismo soviético. De fato, o sistema capitalista se tornou dominante, com a exceção de um par de cenários de reality show onde moram alguns milhões de pessoas: o Pedro Bial de um deles usa um topete midiático e o outro, que não raspa a barba há meio século, virou garoto propaganda da Adidas.

Na geopolítica, de lá pra cá, a hegemonia norteamericana sofreu abalos: vivemos em um novo mundo multipolar, onde outros atores passaram a crescer em relevância, principalmente os BRICs.

Em 2002/2003, a primeira guerra dos browsers também chegou ao fim. Com mais de 95% de participação, o Internet Explorer se tornou o único browser relevante. Os webdesigners colocavam avisos dizendo que, se você não atualizasse seu browser para IE 6, você não teria o privilégio de visitar aquele site.

Assim, para quê se preocupar com os padrões do W3C ou da ECMA ? Se não funcionava para os desajustados, eles que se ajustassem. Naquela época, acessar a web a partir do celular era uma raridade, e apenas os nerds mais radicais insistiam em usar um desktop Linux: assim como os grupúsculos de ultraesquerda que só existem em diretórios de estudantes de universidades públicas, eles se dividiam entre os partidários de cada distribuição. Para o dono da confecção que queria divulgar suas promoções na internet, ou simplesmente falar orgulhosamente para os clientes "agora temos um saitenauebe !", o fato de alguém não poder acessar a página inicial dele usando o Konqueror era irrelevante.

Hoje, a situação é bem diferente. O acesso à web por celulares e PDAs, dos quais apenas uma minoria consegue rodar IE, é corriqueiro. Computadores de mesa, laptops e netbooks comprados nas Casas Bahia já vêm com Ubuntu instalado, e Macs não são mais exclusivos de designers estilosos. Em novos dispositivos como mini-tablets (Kindle, iPad = iPhone de Itu), ainda não se sabe se haverá uma plataforma dominante. O ChromeOS também deve mexer nesse mix.

Nas estatísticas, a participação do IE já se reduziu aproximadamente à metade dos dispositivos que acessam a web, e a metade restante está bastante pulverizada. Hoje, o dono da confecção que passou a depender mais da web e não reformulou seu site IE-only desde 2002, pode estar deixando de fora metade dos seus clientes.

Quem já leu algum outro post deste blog, deve ter percebido que sou viciado em teste de software: como fazer para testar seu site com um número crescente de browsers ? Comprar diversos tipos de hardware, instalar sistemas operacionais diversos e contratar um exército de testadores manuais não parece ser uma estratégia viável para o dono da confecção.

É ai que começamos a pensar no assunto da moda: cloud. Seria possível montar uma infraestrutura com máquinas virtuais, cada uma executando um sistema operacional e um browser diferente, e poder controlá-los remotamente, executando um mesmo roteiro de testes ?

Felizmente, isso é possível. A família de ferramentas Selenium permite montar tal infraestrutura através do Selenium Grid. No site tem um passo-a-passo de como montar um conjunto de nós escravos de Selenium Grid no serviço EC2 da Amazon (http://selenium-grid.seleniumhq.org/setting_up_selenium_grid_on_ec2.html)

Outra possibilidade, talvez menos nerd, é contratar alguém que já fez isso e que oferece o teste como serviço (TaaS ?), a partir dos seus próprios scripts para Selenium, numa nuvem pública. Você paga o que o taxímetro indicar, e recebe os relatórios no conforto do seu browser. Este serviço é oferecido pela BrowserMob (http://browsermob.com). De quebra, você pode fazer testes de carga com um número grande de browsers reais, reutilizando toda a lógica dos seus testes funcionais, em vez de precisar escrever testes específicos para ferramentas como JMeter.

Se, por algum motivo, você não deseja confiar sua preciosa lógica de teste (o que provavelmente não é o caso do dono da confecção) aos cuidados de terceiros, daria para montar uma nuvem interna usando, por exemplo, o Eucalyptus nos computadores que normalmente ficariam ociosos durante a noite.

Pretendo explorar esta possibilidade nas próximas semanas e postar os resultados do experimento.
Aguardem.

Jorge Diz
http://twitter.com/jorgediz

Comentários

Dr. Spock disse…
Oi Jorge,

Acho que o tico e teco aqui não captaram os binds. Qual o bind entre guerra fria, BBB, esquerda, radicalismo, etc com os browsers, testes e selenium? Eles conseguiram captar sobre a necessidade de testes automatizados com a crescente adoção de vários browsers e meios diferentes de conexão (konqueror, safari, firefox, chrome, opera, iphone, ipod, pc, mac, smartphones, netbooks, ipad, etc). Nesse ponto tudo bem! Começou com história/filosofia e parou no técnico ... aí pifou o teco ... e o tico ficou confuso :)
Jorge Diz disse…
Explicando:

Guerra fria ~ Guerra dos browsers

Capitalismo ~ IE : vitória esmagadora

Relíquias comunistas ~ Usuários de outros browsers

BRICs ~ FOCS (Firefox, Opera, Chrome, Safari)

A geopolítica mudou desde o fim da guerra fria ~ O cenário da web mudou desde o fim da guerra dos browsers.

Ai talvez faltou continuar com a metáfora ...
mas a ideia era tentar mostrar que o mundo mudou e que vc espanta metade dos seus clientes se continuar com a ideia de que o IE marcou o "fim da história"

Acho que dei um cavalo de pau quando comecei a falar de testes, uma vez montado o cenário...

Obrigado pelo feedback :)

Jorge
Anônimo disse…
Pois sua "metafora" ficou excelente! So nao havia entendido o lance do BRICs, que esclareceu aqui. Parabens! - Daniel

Postagens mais visitadas deste blog

Você já pensou em ser palestrante em algum evento ?

Você já deve ter participado de algum evento e pensado como deve ser legal ser palestrante... E para falar a verdade, é muito bom mesmo. Eu adoro, o Vinicius adora e conheço muitas pessoas que curtem cada minuto da participação no evento como palestrante. Com certeza é uma responsabilidade a mais. Você sente medo, adrenalina, tem que se preparar. Literalmente coloca a cara a tapa para qualquer pessoa te avaliar em todos os sentidos. Qual o seu tom de voz?  Seus slides são legais? Você manja mesmo ?  Seu português está ok?  E as palavras em inglês ?  Teve algum deslize técnico? E MUITO mais.  Mas é claro que a exposição tem dois lados... e os resultados podem ser ótimos. Normalmente conhecemos mais pessoas como palestrantes e podem surgir boas oportunidades de negócio. É sempre positivo ter uma nova referência positiva quando as pessoas buscam nosso nome no Google, podemos fazer a diferença para quem está assistindo a palestra e muito mais.  No The Developer's

TDC ONLINE: SUA PLATAFORMA DE PALESTRAS GRAVADAS DO TDC DISPONÍVEL

Além do conteúdo ao vivo transmitido online nas edições do TDC, agora você pode ter acesso à centenas de palestras gravadas, através da nossa nova plataforma de vídeos - o TDC Online, que reúne todas as Trilhas premium, Stadium e Salas dos Patrocinadores das edições anteriores de 2022, TDC Innovation e TDC Connections.  Para acessar, basta clicar na edição em que você participou ( TDC Innovation ou TDC Connections ); Fazer o mesmo login (com e-mail e senha) cadastrados na hora de adquirir ou resgatar o seu ingresso no TDC; E clicar na Trilha de sua opção, e de acordo com a modalidade do seu ingresso. Logo em seguida, você será direcionado para a seguinte página com a lista de todas as palestras por Trilha: Pronto! Agora você tem acesso à centenas de palestras gravadas da sua área de interesse, para assistir como e quando quiser! Caso tenha esquecido a senha, clique na opção "Esqueci a senha" , insira o e-mail que você realizou para o cadastro no evento, e aparecerá a op

TDC INNOVATION lança University Pass

Modalidade de ingresso tem como objetivo ajudar na capacitação dos universitários Uma pesquisa realizada em 2020 pela Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom) diz que até o ano de 2024 o Brasil precisará de cerca de 420 mil profissionais na área de Tecnologia da Informação. Porém, por ano, a mesma pesquisa diz que o país forma apenas 46 mil profissionais capacitados no nicho. Pensando nisso, para ajudar na formação e capacitação desses jovens profissionais, o TDC INNOVATION, segunda edição do ano do The Developer's Conference, lança o University Pass, modalidade de ingresso que possibilita aceso digital gratuito a todas as palestras do evento, ou com 50% de desconto para quem preferir ir pessoalmente. Com o tema central “Desafios para a criação do futuro Digital”, o TDC INNOVATION ocorrerá entre 1 e 3 de junho, de forma híbrida: presencialmente no Centro de Convenções CentroSul, em Florianópolis, e com transmissão simultaneamente pela

Segurança da informação no alvo: o que esperar do futuro?

A segurança da informação não se trata apenas de proteger os dados contra acesso não autorizado. Na prática, refere-se aos recursos que impedem: uso; registro; inspeção; divulgação; interrupção; modificação; destruição de dados. O uso de dados pode abranger desde um perfil nas redes sociais a detalhes financeiros, biometrias ou novos projetos. Por isso, a preocupação com a proteção dos dados é crescente, tanto para empresas quanto clientes. Para muitas pessoas, a coleta de dados é considerada invasão de privacidade, criando desconfiança do titular dos dados, pois o uso dos dados pode ser facilmente corrompido, utilizado para fins não declarados. Apesar de o uso dos dados terem impulsionado os avanços tecnológicos na última década, as organizações lidam com o desafio de distinguir dados de informações pessoais de modo a proteger a privacidade e as preferências dos clientes. Neste artigo, abordaremos o impacto da segurança da informação e o que esperar do futuro. Confira casos conhecido

TDC Digital: o que você precisa saber para transformar sua carreira em 2022

O TDC Digital é o maior evento de TI do mercado e proporciona crescimento profissional a partir de palestras com especialistas e oportunidades de networking com o mundo todo, direto da sua casa. Através da escolha individual de cada participante é possível obter experiências imersivas e transformadoras conforme o tema-chave de cada trilha.  O evento também é o lugar ideal para ajudar no desenvolvimento de carreiras, permitindo que qualquer pessoa com vontade — e um tema interessante — seja palestrante e compartilhe suas experiências e conhecimentos. Para aqueles que querem  participar como ouvinte a plataforma do TDC favorece conferências dinâmicas, e o encontro de diversas comunidades e ecossistemas de TI. E, após a escolha de uma trilha, fica mais fácil acompanhar especialistas para aprender e se inspirar. Em 2021, o The Developer’s Conference (TDC) foi 100% digital e, em três dias de evento, contou com mais de 300 horas de conteúdos , incluindo: Agile; Testes; Design; Web e Mobile;

Inscrever sua equipe em eventos de TI vale a pena? Entenda aqui

Os eventos de TI são importantes para o aprendizado contínuo, especialmente em uma área tão dinâmica, como a de tecnologia. A necessidade de estar sempre por dentro das tendências pode esbarrar em algumas objeções, como investir em especializações pouco práticas ou opções pulverizadas de mercado. Por isso, participar de conferências e assistir palestras de especialistas é uma excelente oportunidade para sua equipe se desenvolver. O melhor de participar de eventos de TI é expandir os conhecimentos e habilidades independentemente da experiência específica, seja um desenvolvedor web ou full stack, por exemplo, as conferências de tecnologia podem ajudar o profissional a se aperfeiçoar. Isso ocorre devido ao contato com outros especialistas e colegas da mesma área. Além disso, é possível descobrir novas soluções e fazer networking . Neste artigo, você conhecerá as vantagens da sua equipe participar em eventos de TI. Aproveite a leitura! Vantagens de participar de eventos de TI Se o seu ob