Pular para o conteúdo principal

Aplicação web com Spring no Cloud Foundry

Um tempo atrás experimentei o mecanismo de cloud da SpringSource chamado de Cloud Foundry (CF). Para isso foi necessário criar uma conta na Amazon Web Services (AWS - infra estrutura de cloud da Amazon) e deixar o número do meu cartão de crédito.

Pude notar que o Cloud Foundry é uma ferramenta que permite a criação e configuração de uma máquina virtual (VM) na AWS com apenas alguns cliques na interface administrativa. A VM criada pelo CF é composta por um Linux da distribuição CentOS, um Apache Web Server, um SpringSource tc Server (Tomcat adaptado) e uma instância de MySQL. Já o AWS é quem hospeda a VM totalmente configurada pelo CF. Também é possível criar diferentes máquinas virtuais diretamente na interface administrativa do AWS.

Tudo começa com a criação de uma conta no AWS e a indicação de um cartão de crédito para as cobranças. Após aguardar até 24h para confirmação do número do cartão, o AWS disponibiliza o acesso à interface administrativa. Através desta interface torna-se possível criar uma VM com qualquer um dos sistemas operacionais disponíveis (CentOS, Windows, Fedora, Ubuntu, etc). Contudo, a máquina criada estará vazia mas acessível via SSH. A partir daí o desenvolvedor deve fazer upload dos softwares necessários e configurar por conta própria estas instalações dentro da VM. Mas, o que mais interessa para testar o CF da SpringSource é a criação um par de chaves digitais para autorizar o CF a acessar a conta no AWS e fazer todas as configurações necessárias, além de criar a VM com todos os softwares indicados anteriormente.

Após ter a conta no AWS e um par de chaves digitais, o próximo passo é criar uma conta no CF e fazer o upload das chaves. A partir desse momento, torna-se possível fazer o upload de um WAR contendo a aplicação web desejada. Esta aplicação pode usar ou não Spring Framework, além de qualquer outra tecnologia Java acessível a partir de um conteiner web.

Através da interface administrativa do CF é possível configurar algumas características do MySQL (se será uma instância única ou um cluster de banco de dados a ser distribuído geograficamente em VMs no AWS). Além do upload do WAR da aplicação a ser instalada automaticamente na VM criada pelo CF, a interface permite indicar o usuário, senha e esquema a serem criados no MySQL e o nome da instância no tc Server para a aplicação.

Ao ativar a VM configurada através do CF, a VM começa a rodar no AWS com um IP e nome na web atribuídos dinamicamente pelo AWS (ou um IP fixo se adquirido no AWS).

Após ter a conta disponível no AWS e no CF, em alguns minutos uma VM estará rodando e acessível através da web com todos os softwares indicados já configurados e em execução. Os maiores tempos são gastos aguardando validação do cartão de crédito pelo AWS e o upload do WAR para o CF.

Para realizar estes testes e conhecer a infra do AWS e CF, escolhi a VM mais barata que está baseada numa máquina com pouca capacidade de processamento e uso de linux (U$ 0.085 / hora para uma VM com 10GB HD, ˜2GB ram, ˜1GB swap e CPU Intel Xeon 2.66GHz). Esta configuração pode ser alterada a qualquer momento, resultando em acréscimos no valor hora.

O CF no momento suporta apenas a infra do AWS. Mas, com a aquisição da SpringSource pela VMware, em breve a infra da VMware também estará disponível. Por enquanto, o CF é beta e, por isso, ainda é gratuito. Portanto, a SpringSource não está cobrando, por enquanto, pelo uso do CF. Mas, não podemos nos iludir, ainda temos que pagar pelo tempo de uso do AWS.

A idéia do CF é legal, principalmente para quem não deseja ter trabalho ou não tem skill para uma configuração detalhada de um linux com as ferramentas indicadas. Contudo, quem domina a administração de um linux e a configuração em cluster de um MySQL, talvez não queira pagar pelo custo do CF no futuro ou deseja ter controle total sobre as otimizações.

Vejo uma vantagem no AWS e CF ao usar uma VM. Neste caso podemos instalar qualquer software e usar qualquer tecnologia plenamente. Contudo, a distribuição é limitada à clusterização de máquinas e serviços (como banco de dados ou servidor de aplicações). Já o mecanismo de cloud da Google impõe restrições na aplicação Java em favor de uma distribuição transparente da aplicação. O Google controla onde a aplicação executa, o JPA não é completamente implementado e as operações de JNDI e acesso a disco não são permitidos. Ambos os modelos são interessantes. Podemos escolher o melhor de acordo os requisitos da aplicação.



O exemplo ilustrado acima foi comentado num post no blog do Spring Brasil User Group com o título: Aplicação web completa com Spring Framework 2.5 disponível.

By Spock
http://blog.spock.com.br/
http://twitter.spock.com.br/
http://www.springbrasil.com.br/

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

10 reasons why we love JSF

1. One-slide technology: it's so simple that I can explain basic JSF with one slide. 2. Easy to extend: components, listeners, render kit, Events, Controller, etc. 3. Real-world adoption: JBoss, Exadel, Oracle, IBM, ... 4. Architecture model: you can choose between more than 100 different architecture. 5. Open-mind community: using JSF you are going to meet very interesting people. 6. We are using JSF the last 5 years and we found very good market for JSF in Brazil 7. Progress: look to JSf 1.1 to JSF 1.2, JSF 1.2 to JSF 2.0. People are working really hard! 8. Many professionals now available 9. It's a standard. It's JCP. Before complain, report and help! 10. Ed Burns, spec leader, is an old Globalcode community friend! EXTRA: My wife is specialist in JSF. She's my F1 for JSF :) Nice job JSF community! -Vinicius Senger

Devo fazer um curso ou ler um livro?

Acredito que todos os instrutores ou professores, independentemente da área, escola ou centro de treinamento, já devam ter recebido essa pergunta alguma vez na vida: devo fazer um curso ou ler um livro? Para responder a essa pergunta, precisamos avaliar os prós e contras de cada opção. Trabalho com treinamento há algum tempo e, hoje, recebi essa pergunta de um aluno. Não adianta responder a ou b sem argumentar, demonstrando as opções conforme a situação do aluno. O conteúdo, a forma de transmissão e a capacidade de assimilação do indivíduo são chaves para haver benefício maior de aprendizado. Tanto em um bom curso quanto em um bom livro, o conteúdo é a premissa básica . Por conteúdo entendemos: se está organizado; se respeita pré-requisitos; se promove o aprendizado guiado e incremental; se aborda de forma satisfatória os principais pontos; se tem bom balanço entre teoria, exemplos e prática (favorecendo exemplos e prática); se tem como premissa a acessibilidade possível (e cabível) pa...

Hackeando o Prezi com Robot, Socket e Android

O Prezi é uma ferramenta online para construção de apresentação multimídia semelhante ao famoso Power Point, porém, através de templates prontos e animações bem trabalhadas, o Prezi consegue dar uma dinâmica e uma qualidade visual muito maior. Mas mesmo com toda esta propaganda inicial me sentia desconfortável com uma situação do Prezi: necessitaria estar perto do computador ou do notebook para ficar trocando os slides, quer dizer, dando mais um passo na animação construída na ferramenta. Isso pesa muito quando temos um descendente de italiano (meu caso) que fala muito com as mãos e não consegue ficar parado durante a palestra. Desta forma decidi “hackear” o Prezi. Vale dizer que este termo é confundido com o termo “Crakear”, que, neste caso, quer dizer pessoas que invadem ou roubam dados digitais com objetivo de destruir sistemas ou de obter lucro de forma ilícita. O Hacker é o “nerd do bem”!. Inicialmente tentei mudar o aplicativo que podemos baixar do Prezi e passar...

JSF 2 - Composite Components, você não precisa mais ser um ninja

Estamos em uma nova era da computação, os dados não estão mais localizados em um banco dentro de sua empresa, vivemos a explosão de redes sociais, informações são geradas a todo instante, e se torna essencial que sua aplicação conheça os serviços disponíveis na web e consumam suas APIs geralmente disponíveis por serviços REST. Legal, mas como ficam meus aplicativos Java EE neste novo cenário? Para quem vem acompanhando a evolução da plataforma, é notório que todo esforço vem sendo utilizado para aumentar a produtividade e a integração com novos serviços. Basicamente duas especificações surgem com muita força para atender este cenário, a JSR - 314 (JSF-2) e JSR - 311 (JAX-RS), neste post exploraremos a JSR-314 (JSF2) e sua nova forma de criar Composite Components. Uma das grandes queixas dos desenvolvedores JSF era a complexidade em criar composite components, era necessário um vasto conhecimento sobre o ciclo de vida de uma aplicação JSF. Agora, você não precisa ser mais um “ninja” em ...

Exemplo de CRUD para o AppEngine(Struts 2 + Google Guice + JPA)

E dando continuidade a série "Who wants to be a milionaire"... Ok, então você já teve a sua idéia milionária, já deu uma lida no Google AppEngine(GAE) depois do meu último post mas agora tá faltando aquele 'empurrãozinho' para iniciar seu projeto. Tudo bem, aqui vai um empurrão ladeira abaixo... Vou detalhar neste post uma aplicação completa(CRUD) utilizando alguns frameworks Java(Struts 2, Google Guice, JPA) sendo hospedada no Google AppEngine(GAE). Não vou entrar em detalhes específico de cada um dos frameworks pois precisaria de algumas dezenas de posts para isso, o intuito é somente a adaptação necessária para ser executada no GAE, e alguns comentários sobre a arquitetura do projeto. > Struts 2 Infelizmente não é plug-and-play neste ambiente, porém para utilizar o Struts 2 no ambiente do GAE, as modificações são bem simples. A primeira delas é em relação ao framework Ognl que para execução de Reflection acaba esbarrando em algumas problemas de segurança. Para...

Sun, Oracle, JavaOne e mais algumas páginas desta longa história...

Desde abril de 2009 estamos acompanhando todo o processo de aquisição da Sun pela Oracle, que aconteceu muito perto da crise, e no ambiente de negativismo da crise. Parte da comunidade, principalmente os mais velhos tinham um relacionamento de admiração à Sun e e aos engenheiros da Sun. E tantas carreiras e mesmo famílias sendo sustentadas pelo capital gerado ao redor da tecnologia Java. É natural sentir um pouco de medo do impacto deste negócio milionário: O que a Oracle vai fazer com o Java? Vai continuar OpenSource ? Vão mudar a política de distribuição da JVM ? E o JCP está seguro ? Haverá impacto negativo para o Java ? E para as outras ferramentas e tecnologias da Sun ? Com esta enorme mudança de poder dentro da comunidade Java como as outras empresas irão reagir ? Foi realizado hoje um WebCast gratuito "Sun Oracle Strategy", com quatro horas de duração, bastante marketing, muitos adjetivos, resolvi resumir os fatos mais importantes para a nossa comunidade nos com um...