Pular para o conteúdo principal

Novas Tecnologias, Velhos Problemas

Estou envolvido em projetos que demandam diversas integrações com webservices de parceiros comerciais. Ao adotar o stack JAX-WS 2.1 do NetBeans e do Glassfish nossas aplicações facilmente se beneficiam de representações Java das operações e estruturas de dados com as quais temos que interagir. O JAX-WS também tem permitido  velocidade para expor funcionalidades implementadas em Java, para aplicações internas desenvolvidas em outras plataformas.

Toda essa facilidade de integração pode nos animar a princípio, de modo a utilizarmos intensamente esses benefícios. As armadilhas residem em :
 - ignorar o acoplamento com modelos de dados externos ao consumir webservices
 - permitir a transitividade do modelo de dados interno ao prover webservices

O fato é que um contrato de webservice estabelecido hoje pode se tornar obsoleto em alguns meses. Naturalmente existem patterns de arquiteturas orientadas a serviço, adotados do lado do provedor dos webservices, que minimizam o impacto de tais evoluções. Uma prática interessante que tenho observado é o versionamento de serviços. Quando uma nova versão de serviço é disponibilizada a versão antiga continua operante, durante mais uma ou duas evoluções.

Entretanto, o surgimento de uma nova versão de um serviço ocorre por novas necessidades de negócio, e o consumidor do webservice se verá obrigado a migrar mais cedo ou mais tarde. Sob este ponto de vista a manutenção de versões antigas simplesmente permite adiar o impacto da evolução.

Se a aplicação consumidora estabeleceu dependência indireta com as representações Java geradas por ferramentas como o JAX-WS, esta ficará protegida do impacto de evolução dos serviços consumidos. A idéia não é novidade, e é bem discutida em uma publicação de Jens Coldewey, particularmente no tópico Subsystem-Façade (uma releitura do pattern GoF Façade).

Considerando o serviço a ser consumido e sua estrutura de dados como um subsistema, procuramos evitar a utilização direta das classes geradas pelo JAX-WS. Além de utilizar um componente Façade para converter as estruturas de dados do serviço consumido para as estruturas internas da aplicação consumidora, encontramos espaço para outra prática de integração, que eu tenho nomeada como 'Wrapper', e que devo comentar num próximo post.

O mesmo princípio de separação de subsistema é aplicado quando assumimos papel de provedor de serviços via JAX-WS. Considerando que nosso modelo de dados interno pode evoluir, este não é utilizado diretamente na interface dos serviços oferecidos. Combatemos a transitividade de nosso modelo de dados interno, seguindo o design pattern Value Object: criamos um modelo de dados customizado, que pretende permanecer estável para os consumidores dos serviços, ao longo de mudanças internas.

Considero que essas práticas podem ser adotas ao criar webservices em Java utilizando outros mecanismos como o JAX-RS para REST, ou ainda com os precursores JAX-RPC e Apache Axis.

Para expor webservices sem transitividade há também a abordagem Contact-First, utilizada pelo Spring Web Services. Tal abordagem também pode ser utilizada em JAX-WS. Neste caso sempre definimos o schema de dados e operações expostas em primeiro lugar, colocando a geração dos artefatos Java como uma atividade secundária.

A versão original desta discussão pode ser lida em meu blog.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

10 reasons why we love JSF

1. One-slide technology: it's so simple that I can explain basic JSF with one slide. 2. Easy to extend: components, listeners, render kit, Events, Controller, etc. 3. Real-world adoption: JBoss, Exadel, Oracle, IBM, ... 4. Architecture model: you can choose between more than 100 different architecture. 5. Open-mind community: using JSF you are going to meet very interesting people. 6. We are using JSF the last 5 years and we found very good market for JSF in Brazil 7. Progress: look to JSf 1.1 to JSF 1.2, JSF 1.2 to JSF 2.0. People are working really hard! 8. Many professionals now available 9. It's a standard. It's JCP. Before complain, report and help! 10. Ed Burns, spec leader, is an old Globalcode community friend! EXTRA: My wife is specialist in JSF. She's my F1 for JSF :) Nice job JSF community! -Vinicius Senger

Devo fazer um curso ou ler um livro?

Acredito que todos os instrutores ou professores, independentemente da área, escola ou centro de treinamento, já devam ter recebido essa pergunta alguma vez na vida: devo fazer um curso ou ler um livro? Para responder a essa pergunta, precisamos avaliar os prós e contras de cada opção. Trabalho com treinamento há algum tempo e, hoje, recebi essa pergunta de um aluno. Não adianta responder a ou b sem argumentar, demonstrando as opções conforme a situação do aluno. O conteúdo, a forma de transmissão e a capacidade de assimilação do indivíduo são chaves para haver benefício maior de aprendizado. Tanto em um bom curso quanto em um bom livro, o conteúdo é a premissa básica . Por conteúdo entendemos: se está organizado; se respeita pré-requisitos; se promove o aprendizado guiado e incremental; se aborda de forma satisfatória os principais pontos; se tem bom balanço entre teoria, exemplos e prática (favorecendo exemplos e prática); se tem como premissa a acessibilidade possível (e cabível) pa...

Hackeando o Prezi com Robot, Socket e Android

O Prezi é uma ferramenta online para construção de apresentação multimídia semelhante ao famoso Power Point, porém, através de templates prontos e animações bem trabalhadas, o Prezi consegue dar uma dinâmica e uma qualidade visual muito maior. Mas mesmo com toda esta propaganda inicial me sentia desconfortável com uma situação do Prezi: necessitaria estar perto do computador ou do notebook para ficar trocando os slides, quer dizer, dando mais um passo na animação construída na ferramenta. Isso pesa muito quando temos um descendente de italiano (meu caso) que fala muito com as mãos e não consegue ficar parado durante a palestra. Desta forma decidi “hackear” o Prezi. Vale dizer que este termo é confundido com o termo “Crakear”, que, neste caso, quer dizer pessoas que invadem ou roubam dados digitais com objetivo de destruir sistemas ou de obter lucro de forma ilícita. O Hacker é o “nerd do bem”!. Inicialmente tentei mudar o aplicativo que podemos baixar do Prezi e passar...

Facelets ainda mais divertido! Parte II

De volta ao Facelets , na primeira parte mantive o foco na utilização de templates e técnicas de reutilização visando maior agilidade para desenvolver telas com JSF , mas o Facelets vai bem além disso! Nesse post vou comentar e mostrar um pouco sobre a criação de componentes UI (User Interface) usando xht ml - na minha opinião esse é o grande diferencial da tecnologia. Com esse recurso é possível customizar / padronizar componentes usando xhtml + tags JSF + JavaScript + Css, sem código Java. A ideia é bem próxima ao Tag File em uma rápida comparação com JSP (JavaServer Pages), mas no caso do Facelets feito de uma forma ainda mais simples e com aderência a (infra)estrutura do JSF. Vou descrever o mesmo cenário da primeira parte, um sistema composto por vários cadastros ( C reate R ead U pdate D elete). Pensando especificamente em cada formulário, usando como exemplo um rascunho ou protótipo para o cadastro de Fornecedores, podemos assumir o seguinte formato: campos para preenchi...

Sistema interativo de TV Digital com Ginga-J

No início de 2009, os estudantes de Sistema de Informação do Centro Universitário de Votuporanga ( UNIFEV ), Caio César Pereira de Souza e Rodrigo Gonçalves Constantino me apresentaram uma proposta para que eu fosse co-orientador junto ao professor orientador Djalma Domingos da Silva , em seu Trabalho de conclusão de curso (TCC) com tema TV Digital. A base que motivou o assunto, foi a palestra apresentada por Maurício Leal na I Conferência Java Noroeste sobre o tema TV Digital, realizada em 2006 em Votuporanga-SP. Ficamos muito entusiasmados com a possibilidade de interatividade na TV Digital, e a grande quantidade de possibilidades de desenvolvimento de aplicativos nesta área. Acompanhamos de perto as notícias na imprensa e todo o esforço e iniciativas realizadas pelo Fórum do Sistema Brasileiro de TV Digital Terrestre (SBTVD) , que organizou e produziu especificações ABNT, normatizando o sistema de TV Digital Terrestre. O foco do TCC foi realizar o desenvolvimento de uma pequena ...

Globalcode no Facebook

As redes sociais estão em alta faz tempo, diversos artigos e blogs falando sobre a extinção da comunicação via e-mail e as novas gerações dialogando somente através de instant messenger, orkut, facebook, twitter... e nós, jovens de 30 anos ficando ultrapassados ainda viciados naquela nova forma de comunicação, o e-mail! Já faz tempo que entendemos os valores das redes sociais, especialmente do twitter. Fazia tempo que pensamos em investir um tempo para criar as páginas para a Globalcode no facebook. Junto com a Ana Abrantes começamos a criar um usuário Globalcode http://www.facebook.com/globalcode que administra várias páginas! Depois criamos as página para os principais cursos da Globalcode e também para a iniciativa Open4Education, e estamos trabalhando a todo vapor para aumentar a integração com nosso site e com o blog. Colocamos o botãozinho "Curtir" ou "Like" nos cursos, ou seja, a partir da página do curso você pode "Curtir" no facebook nos seus c...