Pular para o conteúdo principal

Animações em JavaFX com Duration e Timeline

A tipagem básica do JavaFX é formada por tipos numéricos, String, Boolean, - até aqui semelhante ao Java - Void, Function, Null e Duration. O type Duration foi criado para simplificar a definição de literais que determinam valores para uma duração/faixa/pedaço do tempo, veja alguns exemplos:

var milisegundos = 1500ms;
var segundos = 50s;
var minutos = 15m;
var hora = 1h;

var hs = 30m * 3; //1h e 30m 

Bem mais simples e pouco verboso em uma comparação com Java. Um detalhe importante é que o valor de qualquer uma das variáveis acima é mantido em milisegundos. Com println fica fácil conferir:

println("{hora} / {minutos} / {segundos} / {milisegundos}");
// Saída: 3600000ms / 900000ms / 50000ms / 1500ms

Uso de Duration se justifica, por exemplo, em animações gráficas e é por esse motivo que entra em cena o Timeline, outro importante elemento do JavaFX,  que provê a capacidade de atualização no estado dos componentes visuais em um intervalo de tempo, ou melhor, durante uma duration! Quando escrevo estado dos componentes, me refiro as propriedades desses componentes.

Fiz um exemplo bem simples, um Timeline com 10 ciclos de execução registrados (propriedade repeatCount), cada uma disparada de 2 em 2 segundos. Durante a execução um contador é incrementado e seu valor apresentado em uma label, veja o código:

import javafx.stage.Stage;
import javafx.scene.Scene;
import javafx.scene.control.Label;
import javafx.scene.text.Font;
import javafx.animation.Timeline;
import javafx.animation.KeyFrame;

var contador = 0;

var t: Timeline = Timeline {
    repeatCount: 10 //ciclos
    keyFrames: KeyFrame {
        time: 2s  //a cada 2 segundos
        action: function(){
            label.text = "{++contador}"
        }
    }
};
t.play();

var label = Label {
    font: Font { size: 60.0 oblique:true },
    translateX: 90,
    translateY: 40
};

Stage {
    scene: Scene {
        width: 240
        height: 170
        content : label
    }
}

O Timeline é composto por um ou vários KeyFrames, cada um executado individualmente, single Thread, em ordem respeitando o time definido. O KeyFrame indica quem sofre as mudanças e que tempo isso acontece.
Quem foi ao Profissão Java 2010 viu o sorteador de brindes, na realidade um gerador de números aleatórios, que criei usando esse conceito de Timelines para trocar imagens (os números em vermelho) e alguns outros detalhes gerando a sensação do sorteio.

Explorando um pouco mais Duration, Timeline e KeyFrame, montei outro exemplo um pouco mais incrementado ainda para esse post: um circulo que segue o mouse a partir de um clique, inspirado no Fish Simulator um demo oficial do JavaFX referência para demonstrar como funciona o Scene Graph.

Na propriedade values do KeyFrame, indico que translationX e translationY sofrem transição de estado, do eixo atual para o posição do clique do mouse, usando Interpolação Linear.


import javafx.stage.*;
import javafx.scene.*;
import javafx.scene.shape.*;
import javafx.scene.input.*;
import javafx.scene.paint.*;
import javafx.animation.*;
import javafx.util.*;

class Circulando extends Circle {
    var transicao: Timeline = Timeline { };

    public function vai(x:Number, y:Number):Void {
        //interrompe a timeline em execucao
        transicao.stop();

        /*
         * pega a diferença entre as coordenadas
         * p/ calcular a distancia entre os pontos.
         */
        var difX = x - translateX;
        var difY = y - translateY;
        var dist = Math.sqrt(difX * difX + difY * difY);

        //c/ a distancia calcula o tempo, cada pixel em 10ms
        var t = 1s * dist / 100.0;

        transicao = Timeline {
            keyFrames: [
                KeyFrame {
                    time: t
                    values: [
                        translateX => x tween Interpolator.LINEAR,
                        translateY => y tween Interpolator.LINEAR
                    ]
                }
            ]
        }
        transicao.play();
    }
}

def c = Circulando {
    radius: 20, translateX: 50, translateY: 50, fill: Color.ORANGE
}

var s : Scene;

Stage {
    scene: s = Scene {
        width: 250
        height: 180
        content : Group {
            content: [
                c,
                Rectangle {
                    fill: Color.TRANSPARENT
                    width: bind s.width
                    height: bind s.height
                    onMousePressed: function(e:MouseEvent) {
                        c.vai(e.x,e.y);
                    }
                }
            ]
        }
    }

}

Já brincou c/ JavaFX? Não, então baixe o Netbeans e veja as funcionalidades para desenvolvimento usando JavaFX. Experimente, use os exemplos desse post!


[]s
Eder Magalhães

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

10 reasons why we love JSF

1. One-slide technology: it's so simple that I can explain basic JSF with one slide. 2. Easy to extend: components, listeners, render kit, Events, Controller, etc. 3. Real-world adoption: JBoss, Exadel, Oracle, IBM, ... 4. Architecture model: you can choose between more than 100 different architecture. 5. Open-mind community: using JSF you are going to meet very interesting people. 6. We are using JSF the last 5 years and we found very good market for JSF in Brazil 7. Progress: look to JSf 1.1 to JSF 1.2, JSF 1.2 to JSF 2.0. People are working really hard! 8. Many professionals now available 9. It's a standard. It's JCP. Before complain, report and help! 10. Ed Burns, spec leader, is an old Globalcode community friend! EXTRA: My wife is specialist in JSF. She's my F1 for JSF :) Nice job JSF community! -Vinicius Senger

Facelets ainda mais divertido! Parte II

De volta ao Facelets , na primeira parte mantive o foco na utilização de templates e técnicas de reutilização visando maior agilidade para desenvolver telas com JSF , mas o Facelets vai bem além disso! Nesse post vou comentar e mostrar um pouco sobre a criação de componentes UI (User Interface) usando xht ml - na minha opinião esse é o grande diferencial da tecnologia. Com esse recurso é possível customizar / padronizar componentes usando xhtml + tags JSF + JavaScript + Css, sem código Java. A ideia é bem próxima ao Tag File em uma rápida comparação com JSP (JavaServer Pages), mas no caso do Facelets feito de uma forma ainda mais simples e com aderência a (infra)estrutura do JSF. Vou descrever o mesmo cenário da primeira parte, um sistema composto por vários cadastros ( C reate R ead U pdate D elete). Pensando especificamente em cada formulário, usando como exemplo um rascunho ou protótipo para o cadastro de Fornecedores, podemos assumir o seguinte formato: campos para preenchi...

Globalcode no Facebook

As redes sociais estão em alta faz tempo, diversos artigos e blogs falando sobre a extinção da comunicação via e-mail e as novas gerações dialogando somente através de instant messenger, orkut, facebook, twitter... e nós, jovens de 30 anos ficando ultrapassados ainda viciados naquela nova forma de comunicação, o e-mail! Já faz tempo que entendemos os valores das redes sociais, especialmente do twitter. Fazia tempo que pensamos em investir um tempo para criar as páginas para a Globalcode no facebook. Junto com a Ana Abrantes começamos a criar um usuário Globalcode http://www.facebook.com/globalcode que administra várias páginas! Depois criamos as página para os principais cursos da Globalcode e também para a iniciativa Open4Education, e estamos trabalhando a todo vapor para aumentar a integração com nosso site e com o blog. Colocamos o botãozinho "Curtir" ou "Like" nos cursos, ou seja, a partir da página do curso você pode "Curtir" no facebook nos seus c...

O que é Lógica de programação?

Este é o segundo de uma série de posts voltados aos leitores do blog que estão dando início à carreira de desenvolvimento de software. O assunto de hoje é a lógica de programação. Para ler antes: Entendendo como funciona a programação de computadores: linguagens de programação, lógica, banco de dados A lógica de programação é um pré-requisito para quem quer se tornar um desenvolvedor de software, independente da linguagem de programação que se pretende utilizar. Mas o que é de fato a Lógica de Programação e como saber se eu tenho esse pré-requisito? A lógica de programação nada mais é do que a organização coerente das instruções do programa para que seu objetivo seja alcançado. Para criar essa organização, instruções simples do programa, como mudar o valor de uma variável ou desenhar uma imagem na tela do computador, são interconectadas a estruturas lógicas que guiam o fluxo da execução do programa. Isso é muito próximo ao que usamos em nosso cotidiano para realizar atividad...

Devo fazer um curso ou ler um livro?

Acredito que todos os instrutores ou professores, independentemente da área, escola ou centro de treinamento, já devam ter recebido essa pergunta alguma vez na vida: devo fazer um curso ou ler um livro? Para responder a essa pergunta, precisamos avaliar os prós e contras de cada opção. Trabalho com treinamento há algum tempo e, hoje, recebi essa pergunta de um aluno. Não adianta responder a ou b sem argumentar, demonstrando as opções conforme a situação do aluno. O conteúdo, a forma de transmissão e a capacidade de assimilação do indivíduo são chaves para haver benefício maior de aprendizado. Tanto em um bom curso quanto em um bom livro, o conteúdo é a premissa básica . Por conteúdo entendemos: se está organizado; se respeita pré-requisitos; se promove o aprendizado guiado e incremental; se aborda de forma satisfatória os principais pontos; se tem bom balanço entre teoria, exemplos e prática (favorecendo exemplos e prática); se tem como premissa a acessibilidade possível (e cabível) pa...

Sistema interativo de TV Digital com Ginga-J

No início de 2009, os estudantes de Sistema de Informação do Centro Universitário de Votuporanga ( UNIFEV ), Caio César Pereira de Souza e Rodrigo Gonçalves Constantino me apresentaram uma proposta para que eu fosse co-orientador junto ao professor orientador Djalma Domingos da Silva , em seu Trabalho de conclusão de curso (TCC) com tema TV Digital. A base que motivou o assunto, foi a palestra apresentada por Maurício Leal na I Conferência Java Noroeste sobre o tema TV Digital, realizada em 2006 em Votuporanga-SP. Ficamos muito entusiasmados com a possibilidade de interatividade na TV Digital, e a grande quantidade de possibilidades de desenvolvimento de aplicativos nesta área. Acompanhamos de perto as notícias na imprensa e todo o esforço e iniciativas realizadas pelo Fórum do Sistema Brasileiro de TV Digital Terrestre (SBTVD) , que organizou e produziu especificações ABNT, normatizando o sistema de TV Digital Terrestre. O foco do TCC foi realizar o desenvolvimento de uma pequena ...