Pular para o conteúdo principal

Java e a Nuvem - Parte 1

Influenciado pelas minhas últimas atividades no SPC Brasil e também estimulado pelo excelente post a respeito de algumas novas tendências tecnológicas enterprise do globalcoder Bene, gostaria de iniciar uma série de posts especificamente sobre de Java e "computação de nuvem". Nesse post vou introduzir alguns conceitos para que depois possamos explorar capacidades e tecnologias em Java(e relacionadas) que possibilitam maior escalabilidade, performance e confiabilidade em suas apps enterprise, fornecendo uma melhor experiência para o usuário final.

Mas afinal, o que é "computação em nuvem"(cloud computing)? Basicamente são serviços disponibilizados e consumidos através da internet(ou outra grande rede) que necessitam de uma infraestrutura capaz de escalar elasticamente(alocando e desalocando recursos de forma apropriada dentro de um padrão) de modo a atender uma alta demanda de uso. Então o maior exemplo de computação em nuvem existente é a própria internet e seus serviços interativos mais usados: pesquisa, redes sociais, jogos online, agregadores de notícias, etc... Não é a toa que o pessoal de infra chama internet de nuvem há alguns anos, antes do termo ser propriamente cunhado. Você usa computação em nuvem e talvez nem tenha percebido isso... Buzzwords, quem liga pra elas, não é mesmo? :)

E onde entra o pessoal de infraestrutura nessa onda toda? Arquitetos e sysadmins principalmente(vulgos systems engineers)? Esses profissionais são responsáveis por definir qual o ambiente de "computação em grade"(grid computing) será adotado para atender a demanda de uso dos softwares oferecidos. A "computação em grade" estabelece quais recursos de hardware e software trabalharão juntamente para formar uma unidade de processamento computacional de alta performance. E finalmente então surgem os clusters, que devem ser particionados em ilhas de computadores trabalhando para atender uma ou mais qualidades de sistema(requisitos não funcionais, ou capacidades). Grids e clusters distribuídos são de fato a implementação da "computação em nuvem".

Além de performance e escalabilidade, determinados ambientes tem um terceiro fator chamado "alta disponibilidade", que está diretamente ligado com a confiabilidade e estabilidade da aplicação perante o usuário. A "alta disponibilidade" estabelece parâmetros como tempo máximo de resposta de uma requisição(independentemente da carga), tempo máximo de parada do sistema em um determinado período, capacidade de atualização da aplicação em qualquer momento sem haver nenhuma perda de requisição ao sistema, entre outros. E é responsabilidade da infraestrutura definir qual suporte de hardware e software integrados devem ser usados para atingir tais objetivos. A tendência hoje é a fuga das soluções de hardware ou proprietárias e o uso de soluções de software open source grátis para atingir tais objetivos. Claro que o mais importante é sempre atender a necessidade, verificando questões como qualidade e custo/benefício desejados e o que oferece cada opção avaliada, independente do fornecedor.

No próximo post vamos falar a respeito das qualidades de sistema possíveis em ambientes de nuvem, cluster e grid.

E no último post vamos citar quais tecnologias Java e relacionadas podem ser utilizadas para implementar tais capacidades em determinados cenários, ou seja, aplicabilidade de soluções para problemas reais.

Convido outros globalcoders e a comunidade em geral para uma discussão sobre esse tema. Espero que esses posts ajudem ao menos para tornar a nuvem algo menos nublado... ;)

JV -- julioviegas.com

Comentários

Yara Senger disse…
Excelente post Julio, a dificuldade de distinguir as palavras da moda e as tecnologias pré-existentes é recorrente, aconteceu com WebServices, SOA, AJAX, Web 2.0... e provavelmente vai acontecer muitas outras vezes.

Realizamos uma pesquisa sobre o tema do próximo Casual Class e o tema vencedor foi Cloud Computing.

Conforme conversamos anteriormente acho que seria interessante para o tema Cloud Computing uma abordagem diferente (embora as avaliações do Casual Class de Java EE 6 tenham sido excelentes).

A idéia seria:
- Apresentação de 45-60min para nivelar os principais conceitos de computação em nuvem;
- Discussão com profissionais que estão utilizando diferentes implementações: Google App Engine, Terracota, VMWare, etc...

Vamos nessa?

Yara Senger
Julio Viegas disse…
Yara,

Legal saber que o próximo Casual Class será sobre Cloud Computing!

Vamos elaborar melhor a agenda em conjunto com outros globalcoders conforme conversado no último encontro. Depois divulgamos via boletim.

Tou nessa! ;)
legal, não vou perder essa, já postei uma vez em meu blog algo sobre cloud computing, e acredito fortemente que será o caminho nas novas aplicações (inclusive já temos muitas empresas usando essa metodologia, exemplo disso são os servidores de banco de dados da google).

Não quero perder! =]

Postagens mais visitadas deste blog

10 reasons why we love JSF

1. One-slide technology: it's so simple that I can explain basic JSF with one slide. 2. Easy to extend: components, listeners, render kit, Events, Controller, etc. 3. Real-world adoption: JBoss, Exadel, Oracle, IBM, ... 4. Architecture model: you can choose between more than 100 different architecture. 5. Open-mind community: using JSF you are going to meet very interesting people. 6. We are using JSF the last 5 years and we found very good market for JSF in Brazil 7. Progress: look to JSf 1.1 to JSF 1.2, JSF 1.2 to JSF 2.0. People are working really hard! 8. Many professionals now available 9. It's a standard. It's JCP. Before complain, report and help! 10. Ed Burns, spec leader, is an old Globalcode community friend! EXTRA: My wife is specialist in JSF. She's my F1 for JSF :) Nice job JSF community! -Vinicius Senger

Vem vindo novidade por ai... Minicurso de desenvolvimento iOS

Ola pessoal, Depois de uma conversa com a Yara, resolvemos colocar em prática uma idéia que já tinhamos a um tempo, que é aumentar as opções de mobilidade no portifólio da Globalcode e também da iniciativa Open4Education. E nesse caso estamos falando de um minicurso sobre desenvolvimento para iPhone e iPad. O objetivo desse minicurso vai ser mostrar que desenvolver para iOS não é tão complicado como se pode pensar e que não é preciso ter medo do Objective-C ! Serão algumas horas onde os alunos poderão entender os fundamentos da plataforma, como funciona o programa para desenvolvedores da Apple, preparação do ambiente e dos devices de teste e também um overview dos layers de desenvolvimento do iOS. Além disso, o objetivo também vai ser passar um pouco da minha experiência na "migração" que fiz de Java (seja SE, ME ou Android) para o novo mundo do Objective-C e Cocoa Touch. O material está no começo e ainda não temos uma data certa (só sabemos que a primeira edição desse minicu...

Transmissão do minicurso Google App Engine

Os minicursos gratuitos realizados através da iniciativa Open4Education da Globalcode têm sido transmitidos ao vivo em forma de webcast e eu tenho acompanhado pessoalmente muitos deles, conversado com os alunos no chat, observando a qualidade e as limitações das transmissões. Sem dúvida o aproveitamento presencial é muito maior, principalmente pelo networking e pelo foco dado ao conteúdo. Mas, para aqueles que não estão em São Paulo o custo benefício é sensacional. Mesmo perdendo um pouco nas transmissões, é muito melhor poder assistir os minicursos à distância. Com o sucesso das transmissões do Profissão Java e do The Developer's Conference 2010 queremos melhorar e atingir um público ainda maior, e é por isto, que iremos fazer a primeira transmissão ao vivo em parceria com a WTV Streaming hoje! Os principais benefícios desta parceria são: Transmissão do vídeo e não apenas do conteúdo que está sendo projetado Captação e edição do conteúdo, para posterior disponibilizaç...

Facelets uma forma mais ágil para construção de telas – Parte I

A construção de telas ou camada de apresentação em um sistema MVC seja web ou desktop é uma tarefa complexa e de extrema importância. Nesse post vou comentar e mostrar algum exemplo do Facelets como solução para os desafios existentes nessa etapa especificamente para web. Com a web cada vez mais presente em nosso dia-a-dia, um fato é que com isso nossos usuários tornam-se mais exigentes em relação a usabilidade, agilidade, performance ou de uma forma bem resumida “o usuário espera uma navegação simples e agradável aonde uma determinado tarefa possa ser concluída em poucos passos e em um curto espaço de tempo”. Atender as expectativas em relação ao que o usuário espera com o que realmente ele precisa, definir uma estrutura flexível a mudanças sem engessar o desenvolvimento, acessibilidade, portabilidade em múltiplos navegadores, tudo isso e muito mais, num prazo que quase sempre é apertado. Um outro ponto fundamental é manter o time motivado e produtivo em um ambiente que favoreça a...

JavaMail: Enviando e-mail com Java

Introdução Além da necessidade de envio de e-mail ser comum a várias aplicações, foi a pergunta de um aluno da Academia Java ,  “Como enviar um e-mail com Java?”, que me motivou a escrever este post sobre JavaMail. JavaMail Para realizar o envio de e-mail por meio de uma aplicação Java, precisamos da biblioteca JavaMail, pois ela não é incluída no Java SE. A biblioteca está disponível em http://www.oracle.com/technetwork/java/index-138643.html . Neste download, além da biblioteca mail.jar que inclui a implementação completa da API e providers, também é disponibilizada a documentação da biblioteca ( javadoc ) na pasta docs , alguns exemplos na pasta demo e partes da implementação em lib . A forma mais simples de utilizar a JavaMail e incluir o mail.jar , porém para uma aplicação que só envia e-mail como o nosso exemplo, necessitamos apenas dos arquivos mailapi.jar e smtp.jar , economizando 177KB. Como a economia é pouca e as aplicações evoluem, vamos adicionar o mail.j...

JavaOne Brasil, dicas para submissão de palestras

Não quero parecer pretensiosa dando dicas para submissão de palestras para o JavaOne Brasil, mas sim repassar os tantos conselhos e sugestões recebidas pelos vetaranos do JavaOne: Bruno Souza e Leonardo Galvão que revisaram dezenas de submissões para o JavaOne e ajudaram a aprovar tantas palestras, e também misturar um pouco da minha experiência na seleção de palestras nos eventos realizados pela Globalcode e SouJava . 10 anos de JavaOne: http://www.globalcode.com.br/noticias/Globalcode10AnosNoJavaOne Os palestrantes ganham a entrada! A submissão pode ser feita em português! O passo mais importante para ser aprovado como palestrante no JavaOne é sem dúvida nenhuma submeter pelo menos uma palestra. Então, independente de qualquer coisa, participe, arrisque, divulgue.  Mas, se quiser aumentar as suas chances...   1) Leve a sério: peça para amigos fazerem uma leitura crítica do texto, e claro uma boa revisão ortográfica. 2) Submissão de várias palestras ou variações do ...