Pular para o conteúdo principal

Appengine e os períodos de manutenção

Uma das funcionalidades do Google AppEngine(GAE) que eu acho mais fantásticas -principalmente para nós desenvolvedores-, é a possibilidade de deixar sua aplicação preparada para momentos em que haverá alguma manutenção nos servidores do GAE ou mesmo uma 'queda' inesperada de um serviço. Isso fizemos também no site da YaW.

Qualquer serviço web, por mais que esteja disponível 24/7/365 em algum momento deverá sofrer uma paralisação seja por uma manutenção, atualização ou qualquer problema imprevisto.

Com o GAE não é diferente, a grande vantagem é que o próprio ambiente lhe avisa destes momentos, sendo que você pode deixar sua aplicação já pronta para continuar funcionando(mesmo que não 100%) durante estes períodos.

A camada de persistência(Datastore) por exemplo, em períodos de manutenção, entra em um estado especial em que somente é possível realizar leituras na base(read-only), nenhuma modificação ou alteração na base é permitida. Nestes períodos, se a aplicação realizar alguma escrita ou modificação, o próprio servidor do GAE lhe lançará uma exception informando da impossibilidade de escritas e modificação, lhe dando a possibilidade de ao invés de ficar com toda a sua aplicação fora do ar, você pode capturar esta exceção e informar ao usuário que determinada operação não foi possível no momento e que tente novamente mais tarde(ou qualquer coisa do tipo...).
Caso você esteja utilizando JPA, este seria algo parecido com o seu código de tratamento:
EntityManager em = EntityManagerFactory.createEntityManager();
try {
em
.persist(entidade);
em
.close();
} catch (com.google.apphosting.api.ApiProxy.CapabilityDisabledException e) {
// Esta exceção informa que o Datastore está em modo read-only.
// Tente novamente mais tarde.
}

Simples e indolor, não?

Outra API que possibilita tratar períodos críticos do GAE é a API de cache. Durante períodos de manutenção ela também é desabilitada e entra em um estado de 'somente leitura'. Porém a principal diferença para o Datastore nestes períodos, é que isso acontece de forma transparente para sua aplicação, impactando talvez somente na performance, pois toda vez que você tentar gravar uma informação em cache neste período, a escrita é ignorada, e toda leitura lhe retorna uma referência nula, como se o cache não encontrasse nenhuma entrada para sua busca.
De qualquer forma, se você quiser saber mesmo assim quando o cache está fora de serviço, é possível com o seguinte código:
MemcacheService ms = MemcacheServiceFactory.getMemcacheService();
ms
.setErrorHandler(new StrictErrorHandler());

try {
ms
.put(key, value);
} catch (com.google.appengine.api.memcache.MemcacheServiceException e) {
// Caso capturou esta exception, é sinal que o Memcache está fora
}

Um detalhe muito importante sobre estes períodos é também sobre a sessão web. Internamente as sessões no GAE são gerenciadas pelo Memcache e pelo Datastore, logo, as sessões também estão em modo read-only durante estes períodos. Ou seja, mais um detalhe a se levar em consideração durante o design de sua aplicação no GAE.

http://twitter.com/rafanunes
http://twitter.om/youandwe
http://www.yaw.com.br

Comentários

Yara Senger disse…
Muito legal estes recursos do Google App Engine. Valeu Rafael!

[]s
Yara

Postagens mais visitadas deste blog

10 reasons why we love JSF

1. One-slide technology: it's so simple that I can explain basic JSF with one slide. 2. Easy to extend: components, listeners, render kit, Events, Controller, etc. 3. Real-world adoption: JBoss, Exadel, Oracle, IBM, ... 4. Architecture model: you can choose between more than 100 different architecture. 5. Open-mind community: using JSF you are going to meet very interesting people. 6. We are using JSF the last 5 years and we found very good market for JSF in Brazil 7. Progress: look to JSf 1.1 to JSF 1.2, JSF 1.2 to JSF 2.0. People are working really hard! 8. Many professionals now available 9. It's a standard. It's JCP. Before complain, report and help! 10. Ed Burns, spec leader, is an old Globalcode community friend! EXTRA: My wife is specialist in JSF. She's my F1 for JSF :) Nice job JSF community! -Vinicius Senger

Devo fazer um curso ou ler um livro?

Acredito que todos os instrutores ou professores, independentemente da área, escola ou centro de treinamento, já devam ter recebido essa pergunta alguma vez na vida: devo fazer um curso ou ler um livro? Para responder a essa pergunta, precisamos avaliar os prós e contras de cada opção. Trabalho com treinamento há algum tempo e, hoje, recebi essa pergunta de um aluno. Não adianta responder a ou b sem argumentar, demonstrando as opções conforme a situação do aluno. O conteúdo, a forma de transmissão e a capacidade de assimilação do indivíduo são chaves para haver benefício maior de aprendizado. Tanto em um bom curso quanto em um bom livro, o conteúdo é a premissa básica . Por conteúdo entendemos: se está organizado; se respeita pré-requisitos; se promove o aprendizado guiado e incremental; se aborda de forma satisfatória os principais pontos; se tem bom balanço entre teoria, exemplos e prática (favorecendo exemplos e prática); se tem como premissa a acessibilidade possível (e cabível) pa...

Hackeando o Prezi com Robot, Socket e Android

O Prezi é uma ferramenta online para construção de apresentação multimídia semelhante ao famoso Power Point, porém, através de templates prontos e animações bem trabalhadas, o Prezi consegue dar uma dinâmica e uma qualidade visual muito maior. Mas mesmo com toda esta propaganda inicial me sentia desconfortável com uma situação do Prezi: necessitaria estar perto do computador ou do notebook para ficar trocando os slides, quer dizer, dando mais um passo na animação construída na ferramenta. Isso pesa muito quando temos um descendente de italiano (meu caso) que fala muito com as mãos e não consegue ficar parado durante a palestra. Desta forma decidi “hackear” o Prezi. Vale dizer que este termo é confundido com o termo “Crakear”, que, neste caso, quer dizer pessoas que invadem ou roubam dados digitais com objetivo de destruir sistemas ou de obter lucro de forma ilícita. O Hacker é o “nerd do bem”!. Inicialmente tentei mudar o aplicativo que podemos baixar do Prezi e passar...

Facelets ainda mais divertido! Parte II

De volta ao Facelets , na primeira parte mantive o foco na utilização de templates e técnicas de reutilização visando maior agilidade para desenvolver telas com JSF , mas o Facelets vai bem além disso! Nesse post vou comentar e mostrar um pouco sobre a criação de componentes UI (User Interface) usando xht ml - na minha opinião esse é o grande diferencial da tecnologia. Com esse recurso é possível customizar / padronizar componentes usando xhtml + tags JSF + JavaScript + Css, sem código Java. A ideia é bem próxima ao Tag File em uma rápida comparação com JSP (JavaServer Pages), mas no caso do Facelets feito de uma forma ainda mais simples e com aderência a (infra)estrutura do JSF. Vou descrever o mesmo cenário da primeira parte, um sistema composto por vários cadastros ( C reate R ead U pdate D elete). Pensando especificamente em cada formulário, usando como exemplo um rascunho ou protótipo para o cadastro de Fornecedores, podemos assumir o seguinte formato: campos para preenchi...

Sistema interativo de TV Digital com Ginga-J

No início de 2009, os estudantes de Sistema de Informação do Centro Universitário de Votuporanga ( UNIFEV ), Caio César Pereira de Souza e Rodrigo Gonçalves Constantino me apresentaram uma proposta para que eu fosse co-orientador junto ao professor orientador Djalma Domingos da Silva , em seu Trabalho de conclusão de curso (TCC) com tema TV Digital. A base que motivou o assunto, foi a palestra apresentada por Maurício Leal na I Conferência Java Noroeste sobre o tema TV Digital, realizada em 2006 em Votuporanga-SP. Ficamos muito entusiasmados com a possibilidade de interatividade na TV Digital, e a grande quantidade de possibilidades de desenvolvimento de aplicativos nesta área. Acompanhamos de perto as notícias na imprensa e todo o esforço e iniciativas realizadas pelo Fórum do Sistema Brasileiro de TV Digital Terrestre (SBTVD) , que organizou e produziu especificações ABNT, normatizando o sistema de TV Digital Terrestre. O foco do TCC foi realizar o desenvolvimento de uma pequena ...

O que é Lógica de programação?

Este é o segundo de uma série de posts voltados aos leitores do blog que estão dando início à carreira de desenvolvimento de software. O assunto de hoje é a lógica de programação. Para ler antes: Entendendo como funciona a programação de computadores: linguagens de programação, lógica, banco de dados A lógica de programação é um pré-requisito para quem quer se tornar um desenvolvedor de software, independente da linguagem de programação que se pretende utilizar. Mas o que é de fato a Lógica de Programação e como saber se eu tenho esse pré-requisito? A lógica de programação nada mais é do que a organização coerente das instruções do programa para que seu objetivo seja alcançado. Para criar essa organização, instruções simples do programa, como mudar o valor de uma variável ou desenhar uma imagem na tela do computador, são interconectadas a estruturas lógicas que guiam o fluxo da execução do programa. Isso é muito próximo ao que usamos em nosso cotidiano para realizar atividad...