Pular para o conteúdo principal

O que é Arquitetura de Software?

Neste post eu procuro explicar um pouco sobre o que é arquitetura de software e qual a necessidade de um arquiteto, procurando um pouco de ordem no meio do aparente "caos" das diversas definições e classificações existentes.

Arquitetura de software é um daqueles termos que todo mundo sabe (ou acha que sabe) o que é, mas não consegue definir. Outros exemplos desses termos são requisitos e qualidade. Quando perguntamos a alguém o que é isso a resposta clássica é: eu sei o que é mas não sei explicar! E parece que não há um consenso entre as associações e organizações que criam as definições "oficiais" utilizadas pela indústria do software! Não é que elas briguem entre si, mas não existe uma definição única. Cada nova organização que se mete no assunto acha que falta alguma coisa na definição presente e resolve acrescentar algo ou mudar a forma de descrever.

Isso ocorre porque esses termos são abstratos e englobam muitos conceitos em uma coisa só. Por isso existem tantas definições! Cada uma foca em alguns aspectos que considera mais importantes e elas acabam se complementando. É por isso também que os termos acabam ainda tendo várias classificações, para tentar restringir os conceitos englobados pela definição mais genérica. No caso específico de arquitetura acaba gerando tipos como: arquitetura corporativa, arquitetura de informações, arquitetura de dados, arquitetura de sistemas, arquitetura de software, arquitetura de soluções, etc.

Quando entramos na classificação mais detalhada é que começam a ocorrer inconsistências entre as diversas definições. E o pior é que na maioria das empresas as pessoas acabam se referindo aos tipos de arquitetura como se fossem definições totalmente claras e bem consolidadas. Ok, e como é que nós profissionais de arquitetura e desenvolvimento de software podemos lidar com isso?

Minha sugestão é focar nos conceitos fundamentais, que acabam sendo sempre os mesmos. Para cada definição específica de arquitetura varia a que se aplicam esses conceitos. No caso de arquitetura, uma definição concisa que eu gosto é: "Arquitetura é a definição dos elementos que compõem uma estrutura e como eles se relacionam". Quando entramos em algo mais específico como "Arquitetura de Software" o que muda é a definição de quem são os elementos utilizados, qual a estrutura e possibilidades de relacionamento entre eles. E quem seriam os elementos e a estrutura para arquitetura de software? A estrutura é o próprio software e os elementos são os constituintes do software como:

  • classes
  • componentes
  • serviços

A arquitetura define como são organizados esses elementos para montar o software e o arquiteto é o responsável pela sua criação. Mas o mais importante é saber quais as possíveis escolhas e que fatores influenciam na sua seleção. Aí entra a caixa de ferramentas do arquiteto (conjunto de possíveis escolhas/soluções) e os requisitos que o software deve atender (permitem selecionar quais as soluções viáveis/interessantes)

Esse é um tema muito interessante e extenso e pretendo escrever mais sobre o papel de um arquiteto em futuros posts, pois este post já está ficando maior do que eu pretendia! De qualquer forma esse tipo de discussão é algo que procuro trazer aos cursos mais avançados de arquitetura da Globalcode, como a Academia do Arquiteto e o curso oficial Oracle Arquiteto de Aplicações Enterprise Java EE. Nas últimas turmas tivemos discussões bem interessantes com uma grande troca de experiências entre os alunos!

Até o próximo post onde vou falar um pouco mais sobre os fatores que devem ser considerados na escolha de uma arquitetura e o papel do arquiteto

[]s
Kleber Xavier

Comentários

amanda silva disse…
gostaria de saber qual a arquitetura do linux e windows
Unknown disse…
Este comentário foi removido pelo autor.
Carolina disse…
Ótimo texto, obrigada!

Postagens mais visitadas deste blog

10 reasons why we love JSF

1. One-slide technology: it's so simple that I can explain basic JSF with one slide. 2. Easy to extend: components, listeners, render kit, Events, Controller, etc. 3. Real-world adoption: JBoss, Exadel, Oracle, IBM, ... 4. Architecture model: you can choose between more than 100 different architecture. 5. Open-mind community: using JSF you are going to meet very interesting people. 6. We are using JSF the last 5 years and we found very good market for JSF in Brazil 7. Progress: look to JSf 1.1 to JSF 1.2, JSF 1.2 to JSF 2.0. People are working really hard! 8. Many professionals now available 9. It's a standard. It's JCP. Before complain, report and help! 10. Ed Burns, spec leader, is an old Globalcode community friend! EXTRA: My wife is specialist in JSF. She's my F1 for JSF :) Nice job JSF community! -Vinicius Senger

Devo fazer um curso ou ler um livro?

Acredito que todos os instrutores ou professores, independentemente da área, escola ou centro de treinamento, já devam ter recebido essa pergunta alguma vez na vida: devo fazer um curso ou ler um livro? Para responder a essa pergunta, precisamos avaliar os prós e contras de cada opção. Trabalho com treinamento há algum tempo e, hoje, recebi essa pergunta de um aluno. Não adianta responder a ou b sem argumentar, demonstrando as opções conforme a situação do aluno. O conteúdo, a forma de transmissão e a capacidade de assimilação do indivíduo são chaves para haver benefício maior de aprendizado. Tanto em um bom curso quanto em um bom livro, o conteúdo é a premissa básica . Por conteúdo entendemos: se está organizado; se respeita pré-requisitos; se promove o aprendizado guiado e incremental; se aborda de forma satisfatória os principais pontos; se tem bom balanço entre teoria, exemplos e prática (favorecendo exemplos e prática); se tem como premissa a acessibilidade possível (e cabível) pa...

Hackeando o Prezi com Robot, Socket e Android

O Prezi é uma ferramenta online para construção de apresentação multimídia semelhante ao famoso Power Point, porém, através de templates prontos e animações bem trabalhadas, o Prezi consegue dar uma dinâmica e uma qualidade visual muito maior. Mas mesmo com toda esta propaganda inicial me sentia desconfortável com uma situação do Prezi: necessitaria estar perto do computador ou do notebook para ficar trocando os slides, quer dizer, dando mais um passo na animação construída na ferramenta. Isso pesa muito quando temos um descendente de italiano (meu caso) que fala muito com as mãos e não consegue ficar parado durante a palestra. Desta forma decidi “hackear” o Prezi. Vale dizer que este termo é confundido com o termo “Crakear”, que, neste caso, quer dizer pessoas que invadem ou roubam dados digitais com objetivo de destruir sistemas ou de obter lucro de forma ilícita. O Hacker é o “nerd do bem”!. Inicialmente tentei mudar o aplicativo que podemos baixar do Prezi e passar...

JSF 2 - Composite Components, você não precisa mais ser um ninja

Estamos em uma nova era da computação, os dados não estão mais localizados em um banco dentro de sua empresa, vivemos a explosão de redes sociais, informações são geradas a todo instante, e se torna essencial que sua aplicação conheça os serviços disponíveis na web e consumam suas APIs geralmente disponíveis por serviços REST. Legal, mas como ficam meus aplicativos Java EE neste novo cenário? Para quem vem acompanhando a evolução da plataforma, é notório que todo esforço vem sendo utilizado para aumentar a produtividade e a integração com novos serviços. Basicamente duas especificações surgem com muita força para atender este cenário, a JSR - 314 (JSF-2) e JSR - 311 (JAX-RS), neste post exploraremos a JSR-314 (JSF2) e sua nova forma de criar Composite Components. Uma das grandes queixas dos desenvolvedores JSF era a complexidade em criar composite components, era necessário um vasto conhecimento sobre o ciclo de vida de uma aplicação JSF. Agora, você não precisa ser mais um “ninja” em ...

Exemplo de CRUD para o AppEngine(Struts 2 + Google Guice + JPA)

E dando continuidade a série "Who wants to be a milionaire"... Ok, então você já teve a sua idéia milionária, já deu uma lida no Google AppEngine(GAE) depois do meu último post mas agora tá faltando aquele 'empurrãozinho' para iniciar seu projeto. Tudo bem, aqui vai um empurrão ladeira abaixo... Vou detalhar neste post uma aplicação completa(CRUD) utilizando alguns frameworks Java(Struts 2, Google Guice, JPA) sendo hospedada no Google AppEngine(GAE). Não vou entrar em detalhes específico de cada um dos frameworks pois precisaria de algumas dezenas de posts para isso, o intuito é somente a adaptação necessária para ser executada no GAE, e alguns comentários sobre a arquitetura do projeto. > Struts 2 Infelizmente não é plug-and-play neste ambiente, porém para utilizar o Struts 2 no ambiente do GAE, as modificações são bem simples. A primeira delas é em relação ao framework Ognl que para execução de Reflection acaba esbarrando em algumas problemas de segurança. Para...

Sun, Oracle, JavaOne e mais algumas páginas desta longa história...

Desde abril de 2009 estamos acompanhando todo o processo de aquisição da Sun pela Oracle, que aconteceu muito perto da crise, e no ambiente de negativismo da crise. Parte da comunidade, principalmente os mais velhos tinham um relacionamento de admiração à Sun e e aos engenheiros da Sun. E tantas carreiras e mesmo famílias sendo sustentadas pelo capital gerado ao redor da tecnologia Java. É natural sentir um pouco de medo do impacto deste negócio milionário: O que a Oracle vai fazer com o Java? Vai continuar OpenSource ? Vão mudar a política de distribuição da JVM ? E o JCP está seguro ? Haverá impacto negativo para o Java ? E para as outras ferramentas e tecnologias da Sun ? Com esta enorme mudança de poder dentro da comunidade Java como as outras empresas irão reagir ? Foi realizado hoje um WebCast gratuito "Sun Oracle Strategy", com quatro horas de duração, bastante marketing, muitos adjetivos, resolvi resumir os fatos mais importantes para a nossa comunidade nos com um...